Setembro amarelo: - se você precisar, peça ajuda!

10-09-2018  por Rogener Almeida Santos Costa

O setembro amarelo carrega consigo uma mensagem: “Se você precisar, peça ajuda”. É a mensagem que foi escrita nos quinhentos cartões amarelos pelos amigos, quando Mike Emme suicidou-se em 1994. As pessoas que estavam a sua volta conheciam o garoto caridoso e habilidoso com a mecânica, que foi capaz de restaurar um Mustang 1968 e pintar de amarelo. Ninguém sabia o que se passava em seu íntimo e  não percebeu os sinais que sua vida estava no limite, porque nem sempre os sinais são evidentes. Muitas vezes o sorriso constante e o frenético ativismo do dia a dia encobre o vazio ou o desespero presente do íntimo da pessoa querida.

O contexto sóciocultural que vivemos impõe um modelo de sucesso relacionado ao poder de consumo exacerbado e à fama “fácil”. A pressão para o consumo dos itens da moda, a pressão pela atualização do conhecimento, a pressão para conquistar seguidores,  a pressão para acertar no exercício das profissões e tantas outras formas estresse arrastam as pessoas em uma ciranda alucinante que as impedem de ser livres e de refletir sobre sua condição pessoal. O markenting dita o estilo de vida, enquanto as pessoas vão aos poucos se perdendo de si mesmas. 


E você, como está? Está satisfeito com a vida que está levando? Quantas vezes já disse pra si mesmo: Eu não escolhi essa vida pra mim! Eu não me adapto a esse mundo. Eu não confio nas pessoas. É pressão por toda parte. Decididamente, eu não dou conta da minha própria vida... Estou exausta... Eu acho que fracassei! Considere que, além disto, pode ser que você esteja se atribuindo um referencial de sucesso que pode não ser o seu. Se algo semelhante está acontecendo, compreenda que sofrer faz parte do percurso existencial das pessoas e que muitas pessoas podem estar se sentindo ou já se sentiram do mesmo modo, porque é verdade que em alguns momentos da vida nos sobrecarregamos de tarefas “importantes” e “inadiáveis”, esgotando nossos recursos antes de dar conta das metas pretendidas, porque não estávamos preparados, ainda, para assumir a extensão de determinados projetos ou porque esses projetos não deveriam ser nossos.


Permita-se dar um pequeno passo que é assumir a coragem de encarar a si mesmo. Veja o que compõe sua rotina e o que ela está revelando sobre seus valores. Questione-se - o que você está fazendo na prática, ou seja no trabalho, nos relacionamentos com os outros e com você,  é realmente o que você acredita que é importante “pra você”? Considere que quando a vida parece perder o sentido, não é a vida em sua autenticidade que perde o sentido, é a vida que se perdeu de você - é a vida não escolhida, a vida que você foi simplesmente aceitando levar ou mesmo a vida que  leva você. Quem sabe tenha exaurido suas energias, ocupando-se daquilo que o seu meio lhe impôs, conformando-se a expectativas que eram externas e tomou como suas. 

O segundo passo imediato é, se você se sente excessivamente cansado ou impotente e está sofrendo bastante por isso, pedir ajuda. Pode ser que nesse momento você acredite que nem valha mais a pena fazer algo; pode ser que a falta de ânimo não lhe permita mais levantar; pode ser que o futuro lhe pareça completamente enevoado. Ainda assim, olhe bem a sua volta e perceba que existe alguém disposto e capaz de te oferecer o que possui de melhor: seu tempo, sua escuta e seu respeito. Essa pessoa pode ser alguém que já faz parte de sua história - um parente, um amigo de confiança, ou até mesmo um terapeuta. As pessoas só poderão ajudá-lo se você aceitar que precisa e pode ser ajudado.


Essa crise é o momento certo para se reposicionar  perante quem você quer ser e escolher o que  fazer por você mesmo. Esse é o momento de experimentar a vida em profundidade, tomando a decisão de viver conscientemente um projeto seu e experimentando ser aquela pessoa que você sonha ser. O desespero sentido pode ser  a chance de você deixar no passado a pessoa que você não quer mais ser e fechar o ciclo de violência compactuada. De fato, viver negando a própria vida é uma forma de morte. A dor que você agora sente é o indicador para passar da morte para vida, aceitando uma segunda vida que seja vivida com a liberdade de  se configurar, assumindo o risco dos prováveis erros e a responsabilidade pelas  consequências das opções, aceitando  experimentar a dor e a delícia de ser quem é.


“Se você precisar, peça ajuda”. Somos muitos, somos tantos e estamos aqui nesse planeta para fazermos a nossa parte, transformando-nos e transformando o que está ao nosso alcance. Sigamos juntos.

Autora

Rogener Almeida
Psicóloga
Analista Existencial
Logoterapeuta
Doutoranda Psicologia Social

Assuntos

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