Como vai sua coragem para viver?

20-03-2017  por Rogener Almeida Santos Costa

“Sou humano, e nada humano é estranho a mim.” - Terêncio

Somos muitas vezes surpreendidos quando a morte bate à porta, principalmente, quando leva uma pessoa no auge de sua missão ou no vigor de seus sonhos, como ocorreu recente no país envolvendo pessoas notáveis, realizando trabalhos da maior relevância, a exemplo do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavaski e outros importantes cidadãos e cidadãs desconhecidas do grande público .

Assumir o ser mortal deve ser uma convocação para uma vida mais autêntica e corajosa. Por que não fazer agora uma revisão de vida e descobrir no passado o aprendizado iluminador e revigorante para um presente e um futuro plenos de significados e sentidos? Se você fez, no passado, o que tinha que ser feito, celebre e siga em frente fortalecendo as conquistas. Se não  escolheu o que gostaria de ter realizado no passado,  descubra as ferramentas obtidas com os erros e acertos e as utilize agora. É possível romper com a repetição e acomodação, permitindo se  interromper  a estagnação que é quase uma morte psíquica.

A vida é um bem precioso que nos dá oportunidade de nos tornarmos os autores da história que queremos ter. Experimentá-la da forma mais plena possível é uma desafio porque não sabemos quanto tempo temos para realizar nossos sonhos. A morte é uma realidade inequívoca. Já morremos aos poucos ao nascer, pelo próprio processo metabólico vital. No entanto, o fato é que temos medo dela e em muitos casos a angústia da morte transforma-se em terror,  visto que ela nos remete à consciência da finitude. Saber da nossa limitação temporal é inquietante, também, pelo caráter imprevisível do tempo que dispomos para viver. Saber que o inusitado poderá nos atingir a qualquer momento nos confronta, por um lado,  com a vulnerabilidade humana e, por outro lado, nos convoca a assumir o protagonismo vital diante do que queremos que aconteça em nossa existência. Como diz a música de Geraldo Vandré: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

O medo da morte pode aparecer ainda na infância diante de fatos corriqueiros do cotidiano, como a morte de um animalzinho de estimação, o desaparecimento dos avós ou de pessoas próximas e quando acontece, em geral, não há espaço para as crianças expressarem suas percepções e inquietações sobre os fatos porque os adultos se mostram desconfortáveis para tratar sobre a questão. Na adolescência amplia-se a consciência da finitude e a  angústia da morte se manifesta de forma intensa e variada, como se infere, pelos altos índices de suicídio constatados, pela busca de experiências de alto risco, incluindo a drogadição e as diversas violências, inclusive as do mundo virtual.

Quem vive com autenticidade não teme a morte. A tríade trágica: dor, culpa e morte é inerente a existência humana e para realizar um percurso existencial total, implica experimentar esses aspectos do viver. Podemos assumir divergentes posturas, entre as quais a da angústia incontrolável que nos priva de fazer escolhas livres, vivendo sob o jugo do medo e da proteção/privação exacerbada ou, ao contrário, podemos assumir a responsabilidade de ser quem queremos ser e decidirmo-nos pelo agora. As pessoas que temem patologicamente a morte, quase sempre são aquelas, que não tiveram a chance de viver como gostariam de ter vivido, entregando-se à vida com a liberdade de configurar o próprio destino. 

A cada instante dispomos do momento presente com suas interpelações que nos convocam a fazer uso dos nossos melhores recursos pessoais para fazermos de nós mesmo nossa melhor obra e deixar ao mundo nossa inigualável contribuição, agindo como nenhuma outra pessoa seria capaz de fazer. Conscientes da própria finitude, o que nos compete é agirmos no aqui e agora para vivermos o melhor de nossas possibilidades, sabendo que ao fazer uma opção deixamos para o nada milhares de outras possibilidades.

Temos, portanto, a responsabilidade imensa de escolhermos o que fazer guiados pelos nossos próprios valores porque, como afirmava Viktor Frankl,  psicólogo e psiquiatra vienense,  “o sentido de cada momento é único e irrepetível”; se o desperdiçarmos vivendo  a reproduzir os padrões da grande massa que segue a mídia ou  submetendo-nos às expectativas dos outros, já não temos vida própria e a morte física torna-se, realmente, uma ameaça aniquiladora porque nos impedirá  de uma chance a mais para viver de verdade, acolhendo nossos limites e assumir a liberdade para superar os entraves do percurso. 

 

Seja você: viva e deixe viver.

Autora

Rogener Almeida
Psicóloga
Analista Existencial
Logoterapeuta
Doutoranda Psicologia Social

Assuntos

Blog - Logoterapia

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