A MULHER MULTITAREFA, UM MITO A SER ENFRENTADO 

08-03-2021 por Rogener Almeida Santos Costa

Psicóloga, logoterapeuta e pedagoga

Vamos refletir juntas? Como tem sido a rotina de uma grande maioria de mulheres em meio às mudanças exigidas pela pandemia? O que nós mulheres temos  feito para nos acolher em meio às ameaças e exigências do momento? O que se pode celebrar em meio a tantas perdas? É fato que temos muitos motivos para estarmos vulneráveis, instáveis, passivas e até depressivas, diante de muitas notícias dolorosas e de um entorno pouco empático.

Um misto de medo, tristeza e raiva  nos contagia, o que é legítimo, porque essas emoções fazem parte do nosso modo de nos prepararmos para a ação do momento e são necessárias como fator de proteção.  Porém, na maioria das vezes, o modo como as manejamos, tem provocado mais adoecimento e não atitudes construtivas e protetivas.

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Em meio aos problemas gerais da pandemia, existe algo que agrava, a realidade de um número significativo de mulheres, cujas ações profissionais, se somaram às tarefas domésticas, ao acompanhamento da rotina escolar dos filhos e outras, de forma mais intensa. É verdade que existem aquelas que se sentem confortáveis sob o rótulo de multitarefas. Algumas de nós sorri satisfeita ao afirmar – lá em casa eu dou conta de tudo... 


Será que você tem se deixado levar por este estereótipo, acreditando que  tem habilidades que a maioria das pessoas de seu núcleo familiar não tem?  É  mais um mito da cultura patriarcal e machista. Um estudo feito na Alemanha pela pesquisadora Hirsch, em 2019, confirmou estudos anteriores, demonstrando em um experimento controlado com homens e mulheres que não há diferenças significativas entre os gêneros na realização de tarefas simultâneas e/ou de realização alternada. 


Muitas mulheres se submetem “desde sempre” ã multitarefa e por isso a “naturalizam”, apresentando uma certa desenvoltura em sua execução. A atenção de humanos em geral é restrita a um pequeno espaço. Esta prática é algo que pode ter um grave custo estressor. A verdade é que todos somos maus quando a questão é multitarefa.


Esta realidade pandêmica, que  tem provocado  tantas mudanças, pode ser uma oportunidade para  nos reposicionarmos em nosso espaços  de trabalho doméstico e profissional, experimentando relações mais solidárias e  justas. Todos os membros de uma família ou de uma equipe de trabalho podem ser provocados a contribuir com seu esforço para dividir as tarefas em benefício coletivo, equitativamente, ou pelos menos próximo disso, dependendo do contexto. 


 É necessário nos colocarmos dentro do próprio tempo e espaço, reconhecendo nossas reais necessidades, aprendendo a dizer sim para o cuidado com a saúde física, com a saúde mental, com a espiritualidade, com as interações sociais ou simplesmente com o ócio criativo ou não criativo. É possível mudar para melhor, saindo do estereótipo da multitarefa para uma mulher real que está sofrendo, como todos os demais humanos, as agruras do momento, para ser uma mulher real, propositiva e que contribui de maneira justa e assertiva para o seu bem estar e de todos a sua volta. Que possamos celebrar a vida e a liberdade de ser.

Autora

Rogener Almeida
Psicóloga
Analista Existencial
Logoterapeuta
Doutoranda Psicologia Social

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