SER FELIZ ANTES, DURANTE E DEPOIS DO CARNAVAL...

27-02-2019  por Rogener Almeida Santos Costa

O carnaval  convida à catarse.  Em tempos mórbidos, marcados por grandes catástrofes e pela violência extrema nas relações interpessoais, o convite pode ser irresistível. Muitas pessoas embriagam-se, literalmente, deixando-se levar por Barco até as últimas consequências. Algumas conseguem  ficar livres do teor alcóolico e de outras drogas, permitindo-se descobrir por si mesmas a alegria da folia, mediante experiências de encontro, de companheirismo e de fruição criativa. Uns e outros querem mesmo é ser feliz, mesmo que, por parcos e fugazes momentos.

Quem quer ser feliz? A resposta é óbvia. É o sonho de todos os seres humanos e alimenta as mais diversas fantasias. Desde a antiguidade clássica, esse tema é de interesse na vida e na reflexão humana, tendo sido abordado pela filosofia e pela religião, ao longo da história. Na obra  Ética a Nicómano, Aristóteles afirmou: “não se pode dizer que um só dia de felicidade, nem mesmo uma temporada bastam para fazer um homem ditoso e afortunado”. Kant, na obra A Metafísica dos Costumes, referindo-se à felicidade, considera que “a bem-aventurança é a consequência do cumprimento do dever”.  Pelo que se constata na vida contemporânea, em que “tudo o que é sólido se desmancha no ar”,  estas posições dos filósofos não correspondem ao entendimento dominante. O tema felicidade foi tratado, com profundidade, pela Psicologia nas obras de Jung, Maslow, Rogers, Allport, Seligman e de outros destacados estudiosos.

São muitas as concepções de felicidade e bem-estar, entre as quais, merece destaque a concepção da Psicologia Positiva, apresentada por um de seus expoentes, o israelense Tal Ben-Shahar. Ele indica no livro “Seja mais feliz” que existem seis chaves para ser feliz. Shahar descreve possibilidades acessíveis a todos de desfrutar de alegria e satisfação no cotidiano. São as seguintes:

1) Perdoar os próprios fracassos, acolhendo as emoções negativas como parte da existência e se permitindo viver o perdão a si mesmo e ao outro;

2) Ser grato(a) pelas circunstâncias boas, compreendendo que elas não são garantidas e podem passar, assim como as situações difíceis;

3) Assumir a tarefa de praticar um esporte ou outra atividade física, proporcionando as endorfinas secretadas pelo cérebro que funcionam como fontes naturais de prazer;

4) Tornar mais simples o dia-a-dia no trabalho e no lazer, priorizando aquilo que é realmente importante, evitando sobrecarregas, decorrentes da sobreposição de tarefas;

5) Desenvolver a prática da meditação, como estratégia de conexão consigo mesmo e com o tempo presente, permitindo-se ser livre das memórias do passado e das expectativas do futuro, vivendo o aqui agora em paz;

6) Treinar a resiliência como capacidade de recuperação das adversidades inerentes à vida.

É verdade que se pode adotar pensamentos e estratégias comportamentais que favorecem a alegria de viver, entretanto, acredito que ser feliz é viver orientado pela própria consciência na descoberta do “sentido único e irreprodutível que se esconde em cada situação”(FRANKL, 1978).  Destaco a concepção de felicidade que se diferencia das demais por incluir os conceitos de sentido e valor. É a visão da Logoterapia e Análise Existencial, apresentada pelo seu fundador, médico, psiquiatra e neurologista Viktor Frankl. Ele afirma o pressuposto motivacional chamado vontade de sentido que mobiliza todo ser humano na busca de um sentido para realizar. Isto ocorre mediante a vivência de valores, quando se trabalha por uma causa, quando se encontra alguém para dedicar seu afeto ou quando se aceita transformar a si próprio, enfrentando as adversidades. A felicidade é consequência e aparece como decorrência de uma razão para ser feliz.

Ser feliz é muito mais que momentos de intenso prazer, podendo ocorrer apesar da dor e do desconforto, desde que tenhamos descoberto o sentido do momento, que é sempre pessoal e situacional. Viver com sentido é a maior fonte de felicidade e independe de momentos catárticos.  Ser feliz é possível e acessível a todos antes, durante e depois do carnaval.

Autora

Rogener Almeida
Psicóloga
Analista Existencial
Logoterapeuta
Doutoranda Psicologia Social

Assuntos

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