Psicologia Jurídica

V

12-07-2016  por Maíza França.

Violência sexual, Consequências e Psicoterapia

Com este tema em alta, a mídia divulgou o caso de estupro coletivo e os casos de violência sexual que vitimaram famosos e deram grande repercussão, como: da Xuxa, apresentadora americana Oprah Winfrey, Andressa Urach, Joana Maranhão, entre outros, que motivaram mais vítimas à denunciarem seus algozes. Por último, foi noticiado o caso do filho de 05 anos da Pastora Bianca Toledo, que teria sido abusado sexualmente pelo padrasto que também era pastor.

A violência sexual é um assunto que ainda representa um tabu na sociedade, mas que vem ganhando espaço na mídia, redes sociais e até mesmo nas plenárias do Senado Federal, onde o Senador Magno Malta tem lutado por penas mais duras contra pedófilos e outros atores de estupro.  Ressalta-se a necessidade e a importância da denúncia nos conselhos tutelares, delegacias e no disque 100 com o intuito de coibir tal violência e a punição efetiva dos abusadores.

O tema violência sexual está sendo discutido abertamente e ainda fica no oculto as consequências do abuso sexual sofrido por parte das vítimas, sejam elas: crianças, adolescentes ou adultos. Pontua-se que a violência sexual NINGUÉM ESQUECE, sim, é uma marca registrada no corpo e na memória para toda a vida! O corpo registra marcas, não necessariamente com cicatrizes visuais, mas registra o toque, tanto o bom quanto o mau. 

 A violência sexual é a ação exercida por uma pessoa que está em situação de poder e que obriga uma outra a realizar atividades sexuais, utilizando a violência física e/ou psicológica, bem como o uso de armas ou drogas. É comum que as vítimas se sintam culpadas por tal ato, que claro, não é verdade. A violência sexual pode causar danos físicos, emocionais, sexuais e sociais (comportamento interpessoal), sem falar na estigmatização social.

A literatura aponta que crianças ou adolescentes podem desenvolver quadros de depressão, transtornos de ansiedade, alimentares, dissociativos, hiperatividade e déficit de atenção e transtorno de personalidade borderline. Entretanto, a psicopatologia decorrente do abuso sexual mais citada é o transtorno do estresse pós-traumático. Além disso, estas podem apresentar crenças disfuncionais envolvendo sentimentos de culpa, diferença em relação aos pares e desconfiança em relação a estes. Muito comumente, as crianças e adolescentes vítimas de abusos sexuais no contexto familiar são também vítimas de negligência, abusos emocionais e físicos. Isto se confirma através dos relatos das vítimas que revelam as ameaças e agressões físicas sofridas durante o abuso sexual, bem como as sentenças depreciativas utilizadas pelo agressor e a falta de amparo e supervisão dos cuidadores. As consequências da violência sexual também estão relacionadas a fatos intrínsecos que são a vulnerabilidade e a resiliência, que podem gerar efeitos mínimos ou aparentes, enquanto outras desenvolvem graves problemas emocionais, sociais e/ou psiquiátricos.

Não podemos esquecer que as consequências do abuso sexual podem variar de acordo com o tempo em que a vítima foi abusada sexualmente, se foram semanas, meses ou anos; a intensidade, a frequência e se esses abusos eram permeados por violência física ou exercidos com brutalidade; o vínculo afetivo que a vítima tenha com o ofensor, quanto maior a proximidade, maior as consequências e por fim, a idade da vítima e do perpetrador da violência, quanto maior a diferença de idade, maiores os danos. Lembrando que os efeitos psicológicos da violência sexual podem ser devastadores e perpétuos. Os graus de severidade dos danos psíquicos variam de acordo com a resposta negativa da família ou dos pares à descoberta do abuso.

Lembrando que os meninos que sofrem abuso sexual sofrem mais estigmatização social, que causa vergonha e medo, e por sua vez, acabam se isolando e assim protegendo o perpetrador com seu silêncio, e também sofrem com o estigma sobre sua masculinidade, coisa que não acontece nas vítimas do sexo feminino. A não revelação do abuso pode contribuir para a continuidade da violência sexual. Por não conseguir abordar a questão com outras pessoas, a vítima não recebe atenção e tratamento adequado à época dos episódios abusivos, o que pode mantê-la numa situação de abuso por um longo período e gerar danos psíquicos difíceis de serem revertidos.

Muito poderia ainda falar sobre as consequências da violência sexual, mas deixo registrado que os efeitos mínimos ou máximos desse tipo de violência podem variar muito, dependendo da capacidade de resiliência da vítima, como já mencionado. Destaca-se aqui a necessidade de que haja acompanhamento psicológico. A psicoterapia não tem a capacidade de “apagar” a experiência negativa, mas pode ajudar na ressignificação e elaboração da situação vivenciada e redução dos danos. O apoio emocional especializado é imprescindível nesses casos.  A psicologia somada aos aportes teóricos tem uma contribuição importante para esse campo no sentido de ampliar a visão acerca do funcionamento mental e das questões emocionais implicadas em uma vivência de abuso sexual, tal conhecimento pode corroborar para o desenvolvimento de estratégias mais sensíveis e menos invasivas para esta escuta, que visem o acolhimento, a empatia e respeito ao ritmo e ao processo vivenciado pela vítima.

Autora

Maíza França
Psicóloga
Esp. Saúde Mental - Laboro

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